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Primeira coisa, pra começo de conversa::::: Que tipo de AVC? Qual o tipo de AVC sobre o qual você está procurando informação?????

Pra começar, é preciso saber isso, pois cada um é um pouco diferente em relação às suas causas e tratamentos corretos.

+++ AVC Isquêmico

+++ AVC Hemorrágico

Um AVC do tipo isquêmico ocorre devido à parada de circulação de sangue em alguma região do cérebro, levando à morte daquela região e consequente parada de suas funções. O AVC do tipo hemorrágico é aquele que ocorre quando um vaso rompe dentro do cérebro, causando extravasamento de sangue e inchaço naquela região onde houve o sangramento. Um AVC por aneurisma cerebral está dentro do tipo hemorrágico, e ocorre porque o aneurisma cerebral rompeu, extravasando sangue dentro do cérebro.

Qualquer dos dois tipos principais de AVC – Isquêmico ou Hemorrágico, são considerados uma verdadeira emergência médica, porque o seu reconhecimento e tratamento imediatos são importantíssimos para deixar a pessoa que sofreu o AVC com menores sequelas. Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, melhores serão as chances de menores ou nenhuma sequela no futuro!!!

+++ AVC Isquêmico e Isquemia Transitória

+++ Aneurisma Cerebral

Sintomas

O principal: todo AVC começa DE REPENTE, de forma súbita e sem avisar. Não existe AVC que começa com sintomas lentamente aparecendo em horas ou dias, ou semanas… Todo ele começa de um minuto para o outro. Ou então a pessoa pode acordar com o sintoma, tendo ido dormir normal e tendo acordado com os problemas. Os sintomas mais frequentes são:

  • Desvio da boca (a boca fica “torta”) para um lado do rosto. Geralmente a pessoa ou o seu familiar percebe esta alteração no rosto do indivíduo, e a própria vítima do AVC percebe a fala diferente, mais enrolada, ou até mesmo saída de saliva pelo lado mais fraco. Quando alguém pede para a vítmia mostrar os dentes ou sorrir, a paralisia do rosto fica mais evidente.
  • Paralisia de um lado do corpo, ou do rosto. Pode se desenvolver subitamente, atingindo em maior ou menor grau o braço, ou perna, ou o lado todo do rosto e corpo. A pessoa percebe fraqueza, moleza nos membros afetados, com ou sem alteração da sensibilidade junto da fraqueza.
  • Dificuldade para andar. A pessoa vítima do AVC percebe tontura súbita, desequilíbrio, sensação de vertigem, e dificuldade para ficar de pé e manter o andar corretamente.
  • Alteração da fala e da compreensão da linguagem. A vítima pode perceber dificuldade para emitir ou completar frases, para nomear objetos, para sairem as palavras corretamente, e até mesmo para entender o que está sendo conversado.
  • Alteração da visão. Este sintoma pode se manifestar com a visão simplesmente embaçada, com ardência, falhas do campo da visão (hemianopsias) ou visão dupla e estrabismo na movimentação dos olhos.
  • Dor de cabeça. Quando o AVC provoca dores na cabeça, geralmente são dores diferentes das dores habituais que o indivíduo já sentiu, e se for o caso de AVC hemorrágico, a dor costuma ser súbita e muito forte, algumas vezes levando até mesmo a mal-estar e desmaio na hora da dor.
  • Sintomas de AVC (qualquer um dos acima) que aparecem, ficam por alguns minutos e depois revertem espontaneamente. Isso é bem característico de uma ameaça de AVC, o chamado AIT – Ataque Isquêmico Transitório. O AIT é igualmente uma emergência neurológica, visto que os pacientes apresentam algum problema de oclusão arterial ou risco aumentado para terem um AVC definitivo nos dias seguintes…

Causas e Fatores de Risco

Para os diferentes tipos de AVC há diferentes causas e tratamentos: para o AVC isquêmico, que corresponde à maioria (cerca de 80-85%) dos AVCs, a causa está na obstrução da circulação sanguínea para uma área do cérebro. As causas mais frequentes do AVC isquêmico são:

  • Embolia cardíaca. Este tipo é frequentemente visto em pessoas com histórico de doenças cardíacas como infarto ou miocardiopatia dilatada (coração dilatado). Também é o mecanismo relacionado a quem tem arritmias cardíacas, como a Fibrilação Atrial.
  • Placas ateroscleróticas obstruindo as artérias do cérebro. Este tipo de causa de AVCi ocorre em quem tem placas de gordura obstruindo parcial ou totalmente as artérias dentro do cérebro ou as artérias que levam sangue do coração para o cérebro (no específico caso, as artérias carótidas e vertebrais).
  • Dissecções arteriais com embolia para o cérebro. Este tipo de causa de AVC é muito mais frequente em pessoas jovens que apresentam AVC isquêmico.
  • Ataque Isquêmico Transitório – AIT. Chamamos esse a interrupção é temporária, transitória, isso é o mecanismo do AIT.

Se o AVC é hemorrágico, como falamos anteriormente, o problema foi o extravasamento de sangue dentro do cérebro. As causas mais frequentes de AVC hemorrágico são:

  • Hematoma intracerebral. Neste tipo de AVC hemorrágico, o sangramento acontece dentro do tecido cerebral, levando a condições de maior pressão dentro do cérebro e edema / inchaço das estruturas locais. Estes mecanismos levam à lesão neurológica. A causa mais comum dos hematomas intracranianos é por picos de hipertensão arterial não-controlada (pressão alta que não é controlada); outras causas menos comuns são sangramentos por uso de medicações, por malformações arteriovenosas.
  • Hemorragia subaracnoidea. Ocorre quando há vazamento de sangue intracerebral devido a ruptura de um aneurisma intracraniano. O sintoma mais frequente é a cefaleia súbita muito intensa, que costuma dar mal-estar e bastante dor, às vezes com desmaios na hora da dor. A dor súbita deste tipo de AVC é exatamente a hora em que ocorre a ruptura do aneurisma.

Entre os fatores de risco mais importantes para uma pessoa ser apontada como de risco para ter um AVC, alguns podem ser controlados e outros não…

Fatores de risco não modificáveis (estes não podemos mudar…)

  • História familiar de AVC, cardiopatia, infarto; ou o próprio indivíduo ter tido um AVC ou AIT no passado
  • Idade: maiores de 55 anos; quanto maior a idade, maior o risco de ter AVC;
  • Etnia: algumas raças em especial são mais propensas a ter AVC (orientais, hispânicos, afro-descendentes, raça negra); em brancos, maior risco de obstruções das carótidas por placas de gordura.
  • Sexo: sabe-se que os homens tem risco maior do que mulheres; entretanto, mulheres mais velhas podem ter maiores complicações decorrentes de AVC e procedimentos de stents nas carótidas.

Fatores de risco modificáveis (podemos interceder, mudando estilo de vida ou tratanto as doenças)…

  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Uso excessivo de álcool
  • Uso de drogas como cocaína ou metanfetaminas
  • Hipertensão arterial. Este é o principal fator de risco que modemos intervir e de maior impacto para prevenir AVCs. Cada redução em 5mmHg da PA sistólica (número maior do índice de PA) reduz cerca de 25% o risco de ter um AVC. Ou seja, se você costuma ter PA de 14/90mmHg, e seu médico ajustar os seus remédios da pressão para manter em 135mmHg de PA máxima, teoricamente está reduzindo seu risco de um AVC em 25%!!! É bastante coisa!!!!
  • Tabagismo (ativo ou passivo)
  • Colesterol alto (níveis superiores a 200mg/dL de colesterol total)
  • Diabetes
  • Síndrome da apneia do sono
  • Arritmia cardíaca, em especial a fibrilação atrial

Exames Necessários no AVC

As pessoas que tiveram AVC devem ser inicialmente atendidas em uma emergência de hospital. Isso porque lá é onde poderão ter acesso a avaliação médica de urgência e realizar o principal exame de imagem feito em um caso de AVC: a tomografia do crânio.

Na emergência, além do exame clínico na pessoa vítima de AVC, o médico deverá excluir outras causas de déficits neurológico súbitos (como, por exemplo, hipoglicemia, enxaqueca ou epilepsia), diferenciar se foi um AVC do tipo isquêmico ou hemorrágico, e avaliar, em sendo AVC isquêmico, se a pessoa com AVC poderá ou não receber o trombolítico, medicamento que, se administrado até 3-4h do início dos sintomas, é capaz de reduzir os déficits neurológicos em cerca de 40% dos casos. A seguir, os exames principais a serem feitos em todos os casos de AVC:

  • Exame físico. Feito pelo médico para avaliar os déficits neurológicos (paralisias) presentes, nível de glicemia, níveis de prassão arterial, temperatura, etc…
  • Exames de sangue. Na entrada do hospital, os principais são os exames de glicemia (açúcar) no sangue e testes de coagulação. Depois, a depender de caso a caso, outros testes são pedidos pelo neuro assistente.
  • Tomografia do crânio. Este é, sem dúvida, o principal exame na fase mais aguda (primeiras horas) do AVC. Ele é o único que pode diferenciar se estamos diante de um AVC isquêmico ou hemorrágico, e esta diferenciação nas primeiras horas é crucial e muda totalmente a abordagem médica.
  • Ressonância Nuclear Magnética do crânio. Trata-se de um exame mais sensível e apurado do que a Tomografia, que analisa e dá a extensão e locais exatos de onde ocorreu o AVC. Embora seja melhor do que a tomo, pela logística de sua realização e por não estar disponível em qualquer lugar, não é o exame de escolha para todos os casos.
  • Ultrassonografia das carótidas. Avalia se há alguma obstrução ou placa aterosclerótica, nestas artérias que passam no pescoço, e que são as responsáveis por levar sangue ao nosso cérebro.
  • Angiografia dos vasos cerebrais e do pescoço. Este exame é muito importante para verificar a patência, se estes vasos estão livres, ou se apresentam alguma obstrução ao longo do seu trajeto do coração ao cérebro. Podem ser feitas pelos métodos de angiotomografia, angioressonância ou pelo convencional (mais invasivo), a arteriografiaa cerebral digital.
  • Ecocardiograma. Este é um ultrassom do coração, que avalia se as cavidades cardíacas estão normais ou apresentam alteração.
  • Holter de 24 horas. Este exame é importante nos pacientes mais idosos, quando há uma suspeita de AVC isquêmico por causa de alguma arritmia cardíaca, principalmente a temida fibrilação atrial.

Tratamento do AVC

A primeira coisa: não fique esperando o sintoma que parece um AVC passar.

Logo que sentir algo parecido, corra ao hospital. Quanto mais rápido for reconhecido, mais rápido pode ser tratado.

Na emergência, ou seja, nos primeiros minutos e horas de um AVC, o certo é correr ao hospital, entrar pela emergência e logo, em pelo menos 20-30 minutos da entrada do hospital, já ter feito a tomografia de crânio.

Este exame é o principal para separar, diferenciar se o AVC foi isquêmico ou hemorrágico. Isso muda frontalmente o tratamento.

Sendo Isquêmico…

A terapia correta se o paciente chegar até 4-4,5 horas do início dos sintomas é dar o medicamento alteplase, que é um tipo de trombolítico que dissolve o coágulo e restabelece o fluxo de sangue no cérebro. Se o paciente tiver uma obstrução de uma grande artéria anterior, como a cerebral média, além do alteplase, o correto é levar este paciente para a hemodinâmica, para fazer um cateterismo e desobstruir localmente o vaso.

Sendo Hemorrágico…

A terapia correta nas primeiras horas e dias é dar remédios na veia para baixar a pressão arterial, se a pressão estiver acima de 140/90mmHg.

O alvo de PA atualmente para a fase aguda, primeiras horas e dias de tratamento de um AVC hemorrágico, é manter a pressão menor de 140/90mmHg. Além disso, o paciente deve ser internado em UTI ou NeuroUTI, para melhor monitoramento, pois estes pacientes podem complicar e piorar.

Quando o hematoma, o sangramento, é muito grande, e o paciente está entrando em coma ou tem alto risco para isso, às vezes é indicada cirurgia para retirada do hematoma.

Por: iNeuro

Publicado em: 16/06/2016.

Fonte: http://www.ineuro.com.br/para-os-pacientes/acidente-vascular-cerebral-avc/